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Por que você não se compromete?

Já se deparou na vida com aquele tipo de pessoa que não se compromete com ninguém? Você demora a perceber, acha até que é um desafio da vida e que aquela pessoa vale muito e que é um presente de Deus. Você acha que tem que lutar por ela até o fim e cada conquista é comemorada como um aniversário novo, um degrau a mais, um pouco mais perto do tão sonhado namoro ou casamento.

O que você quer é simples, um relacionamento cheio de alegria, diversão, passeios, viagens, filmes, amizade, parceria, projetos, companheirismo, uma testemunha de sua vida, alguém para rir de suas piadas, te dar bronca, te colocar no seu centro e algumas vezes tirar, alguém para cozinhar com você, confidenciar as loucuras que já viveu e que ainda viverá, um "boa noite" no final do dia, um "bom dia" picante, dormir de conchinha, um ciumezinho pra te mostrar que sempre pode melhorar algo no relacionamento, ouvir aquela música de quando se conheceram e suspirar de amor, pra andar de bicicleta juntos, fazer uma trilha e contemplar a paisagem sem dizerem uma só palavra, pra ouvir palavras que naquele momento você precisa mais do que o ar que respira, pra crescer, se desenvolver como ser humano, ser desafiado, enfim...........

Tudo que eu falei aqui soa como música pra mim, pra você não? Mesmo as dificuldades no relacionamento são essenciais para o crescimento pessoal, pois nenhum ser humano se desenvolve sozinho. Um relacionamento bem trabalhado, sim porque dá trabalho, te faz um melhor pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã, amigo, amiga e certamente melhor profissional. Só há ganho nesse jogo, se você encarar o relacionamento como desenvolvimento e crescimento.

Por que algumas pessoas fogem do compromisso?

Pesquisei um pouco para entender e percebi que tudo começa na infância, é lá que formamos nossas crenças com base na percepção do que acontece à nossa volta, com nossos recursos de criança. Fantasiamos, saímos da realidade e, então, formamos crenças errôneas que vão impactar o nosso desenvolvimento. Quando adultos, nós tendemos a repetir o que percebemos, logo, se percebemos abandono, podemos escolher abandonar ou sermos abandonados. Se percebemos rejeição, rejeitar ou sermos rejeitados, e assim por diante. Passamos a viver em um circulo vicioso.

Quando estamos num relacionamento queremos estar no mesmo barco, é a primazia de um bom relacionamento, não dá para separar, então o que queremos é um comprometimento e um comprometimento nada mais é do que uma prova de que o parceiro pulou pro seu barquinho e agora irão remar juntos, não é uma prisão, mas sim libertação. Isso traz benefícios inenarráveis, pois dois agindo são bem mais fortes que um e as conquistas são alcançadas mais facilmente, mas algumas pessoas simplesmente não conseguem enxergar esses benefícios.

Pessoas com dificuldade de comprometimento também sofrem, pois suas experiências vem das decisões erradas que viram seus pais tomarem, de verem situações terríveis provenientes do relacionamento dos pais ou parentes próximos e também de uma baixa autoestima tão grande, que a pessoa acha que não é capaz de levar um relacionamento adiante. Como se a pessoa precisasse sempre de algo a mais para tomar uma decisão: "quando eu alcançar tal coisa eu me comprometo", "agora falta só mais isso e aí tô pronto". Só que essa "coisa" que sempre falta nunca é concluída, não há comprometimento nenhum a não ser com seu "problema confortável e conhecido". É como se o subconsciente da pessoa falasse: "me deixa aqui quieto que essa área eu conheço e domino, se eu sair desta zona de conforto não sei como agir e vou parecer idiota perante o outro".

Não se comprometer é uma forma de proteção do próprio ego, se a pessoa não deixa ninguém entrar em sua vida a fundo, ela não precisa demonstrar seus medos e inseguranças, ou seja, mantem-se com o personagem externo, aquele que as pessoas costumam ver e se relacionar e esses personagens são em sua maioria mais fortes e com um ar misterioso, parece que a pessoa é inatingível.

O ego cria uma proteção para a pessoa por causa da baixa autoestima, deixando-as mais teimosas, duras, difíceis de estabelecer um diálogo onde há uma troca e uma conexão mais profunda. Você tenta conversar e a pessoa desvia, não se concentra e evita o confronto. É como se fosse uma afronta alguém dizer que a pessoa está errando e que a vida dela pode ser melhor se ela quiser. Quase posso ouvir o som do subconsciente dizendo: "quem vc pensa que é pra falar da minha vida? Quem sabe dela sou eu!"

Dá pra mudar, tem que querer, ter força a acima de tudo coragem. A coragem para mudar é um avanço de quase de 70% do processo. Mas não se iluda, estas pessoas mudam se quiserem, se tiverem algo muito precioso para perder ou quem sabe com terapia, caso contrário nunca experimentarão o que é entregar-se de verdade à uma pessoa que ama, deixar a alma livre, desfrutar essa entrega sem medo e ser pleno em suas decisões, comprometer-se sim, pois isso fortalece o indivíduo e a relação deixando-a muito mais leve, por incrível que pareça. A confiança no companheiro, a certeza desse comprometimento e os planos com essa pessoa, trazem tranquilidade e paz para o relacionamento.

O amor deve ser vivido, somos pequenos diante do universo, nossos medos atrasam nossa evolução, nosso tempo aqui é tão curto que chega a ser um crime não se jogar na vida, errar, acertar, chorar, gritar, ser quem somos e amar. Nós erramos, fazemos um monte de besteira e daí! A gente conserta e aprende. Os erros dos nossos pais não são os nossos erros e sim uma oportunidade de sermos melhores, porque já conhecemos a história que não deu certo.

Nosso tempo de hoje nos faz um pouco assim distantes. Há tanta distração e amores rasos, que se entregar se tornou trabalhoso demais, você sempre pode manter seu personagem externo nas redes sociais, afinal, você tem "likes", uma saidinha de vez em quando e ninguém toca seu espaço protegido, mas o vazio às vezes é inevitável e ficamos com aquela sensação de que algo está faltando sempre.

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Última modificação em Quarta, 27 Janeiro 2016 18:10
Maria Carolina Mattos

Maria Carolina Mattos, formada em Marketing pela Universidade Paulista (UNIP) e MBA Executivo em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Analista Financeiro, Blogueira e Empreendedora. Autora do blog Mariando, co-autora do blog Viagempara e fundadora da empresa de alimentos naturais NaturAll, além disso, mãe de uma menina linda de 11 anos ;)

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