Quem Sou

Vou te contar a minha história…

Meu nome é Maria Carolina Mattos, sou paulistana da gema, raspa do tacho de três irmãos e criada no Parque São Jorge. Uma garota sonhadora que desde pequena já brincava de liderar, juntava todas as minhas bonecas para dar diretrizes. Depois de sair do “escritório” pegava a chave do carro do meu pai, ia para a garagem e brincava de dirigir de salto alto, me achando maravilhosa. 

Infância

Quando ainda criança comecei a empreender, lavava os carros dos meus irmãos e cobrava por isso, é óbvio, e com cera era sempre mais caro. Depois me ofereci para passar os uniformes deles e cobrava por isso, é óbvio. Juntei dinheiro para comprar uma rede e uma bola de vôlei profissionais, pois percebi que em vários pontos do bairro havia pessoas jogando. Resolvi então agitar um campeonato de vôlei bem em frente à minha casa, era uma rua sem saída, perfeito para o evento e sabe por que eu fiz isso? Para vender geladinho, sim. Passava horas fazendo e enchia todo o freezer da minha mãe, mas vendia tudo nos dias de jogos. Juntei muito dinheiro! Eu nunca me esqueci da sensação de empoderamento e por isso sempre fui determinada e sempre soube que poderia fazer algo com minha vida.

Mas minha mãe um dia me disse que eu não podia mais vender geladinho na rua porque era feio o que eu estava fazendo. Disse que eu estava me prostituindo e trazendo marginais para a porta da casa dela. (Coisas de mãe – parecia a dona Hermínia hahaha).

Me sentia um peixe fora d’água, não me encaixava direito em nada, nem mesmo na minha família, pensava diferente, escrevia peças de teatro pra brincar na escola, não era muito feminina, não gostava nem de usar camisa quando pequena. Andava de skate e adorava estar entre os meninos, eles nem ligavam pra como eu me vestia ou se eu estava descabelada. Era espontânea. A primeira vez que fiquei mocinha estava jogando taco na rua. Nem preciso comentar esse episódio (hahaha).

Adolescência

Quando a adolescência chega a gente tenta se encaixar e vai se esquecendo das sensações da infância, mesmo porque não somos encorajadas a lembrar. Vivia uma vida parecida com a das minhas amigas do bairro: escola, clube, quermesse e conversas na calçada antes do jantar.

Vivia numa época diferente, embora eu seja jovem, grandes mudanças somente ocorreram de 10 anos para cá. Não havia internet acessível, então as informações e as referências eram mais difíceis de conseguir. Minhas pesquisas eram em bibliotecas e na Barsa.

Quanto ao futuro, não havia muitas opções profissionais na vida para eu almejar, a não ser advogada, bancária, médica, dentista ou professora. As meninas eram criadas para terem maridos e não para serem profissionais, ninguém esperava nada mais de mim.

Quando me tornei adolescente, o encanto dos meus pais acabou, tipo o pet que cresce e perde a graça. Eu só tinha que não ser um problema, minha mãe havia se tornado a Rochelle Rock e até Jesus tem medo da Rochelle rs.

Quando tive idade para pegar ônibus sozinha comecei a olhar o mundo diferente, ele era só meu. Pesquisei centros culturais e cursos que pudesse fazer. Não tinha dinheiro e meu pai não me daria à toa (igualzinho ao Julius Rock…), então o Centro Cultural do Anália Franco foi minha diversão. Lá fiz dança do ventre e bateria. Nossa como eu amava aprender! Eu tinha 14 nos na época, a sensação de empoderamento havia voltado e a vida só estava começando.

Eu ia muito bem na escola, na dança e meu professor de bateria me dizia que era um prodígio com os pratos. Minha primeira apresentação de dança aconteceu um ano depois no próprio centro cultural e eu estava maravilhada com essa conquista, havia ensaiado muito e convidado minha família. Muito orgulhosa do que havia conquistado sozinha.

O momento da apresentação chegou, eu olhei na platéia e não encontrei ninguém, logo pensei que eu estava nervosa demais para enxergar qualquer coisa e segui o plano. A apresentação acabou e eu extasiada para encontrá-los, mas realmente não havia ninguém.

Abriu um buraco no meu peito, mas também decidi que à partir desse dia seria àquela ovelhinha rosa da família mesmo.

Assim como toda boa história, umas merdas acontecem também, ainda mais falando no mudo machista da década de 90. Um dia um homem me encurralou no ônibus, colocou o pênis para fora e me ameaçou, tive sorte, pois a porta abriu minutos depois e eu pulei. Me senti imunda (ridículo isso), mas nunca contei pra ninguém, afinal assédio era muito comum, diria que ocorria diariamente, isso só seria mais um motivo para tomar bronca (mãe Rochelle, lembra?).

Como se não bastasse, um dia voltando à pé também do centro cultural, dois adolescentes tentaram me roubar e digo tentaram porque eu não tinha dinheiro, tinha apenas 2 passes de ônibus (adolescente era tão pobre kkk). Eles aparentemente queriam comprar drogas, então tiveram um surto e me bateram muito com chutes e socos, colocaram uma faca no meu pescoço e me aterrorizaram. Eu tinha um namoradinho (babaca) na época, que morava bem perto de onde eu estava e quando os meninos decidiram ir embora, eu fui correndo chamá-lo e o que eu ouvi foi impressionante: “Também com essa roupa, aposto que eles mexeram com você e você deu bola”. Gente, eu queria ser a Daenerys nessas horas (spoiler).

…Fiz mais um ano e pouco de dança e parei. Parei também a bateria. A garota traumatizou.

Terminando o colegial meu irmão me deu de presente um intercâmbio, nossa eu sonhava com isso mais do que qualquer coisa. Como ele não tinha mais idade para fazê-lo, resolveu me dar a oportunidade. Fiz o último ano do High School em Minnesota e mais 4 meses de curso de inglês na Universidade de Long Beach, na California. Foi como um sonho pra mim e difícil ao mesmo tempo. Eu não sabia absolutamente nada de inglês quando fui, eu não entendia o que as pessoas diziam e mais uma vez: não existia internet acessível, smartphone, obviamente whatsapp e nenhum outro meio de comunicação ou pesquisa fácil. Diria que eu fiz um intercâmbio raiz.

O tempo passou e como por osmose eu passei a falar inglês, lembro do meu primeiro sonho em inglês, essa foi a chavinha que virou no meu cérebro. Nos últimos meses eu já estava fazendo um seminário para o professor de literatura sobre o filme Central do Brasil. De novo a sensação de empoderamento voltou e nessas horas eu me olhava no espelho me sentindo a mulher maravilha falando inglês.

Voltei para o Brasil com vontade de conquistar o mundo, trabalhar em grandes empresas e dirigir de salto como me imaginava quando criança. Voltei diferente, mais desprendida, afinal de contas uma experiência dessa muda tudo. Mas minha família não conseguiu acompanhar minha mudança, eles não entendiam minha independência, eles não compreendiam minha “distância”, nem mesmo meus amigos. Todas as minhas conquistas eram banalizadas, somente meus fracassos prendiam a atenção deles ou de repente meu pais se sentiam mais “pais” se eu precisasse deles emocionalmente. Muitos issues que família tem né? O negócio era eu dar um jeito na minha vida pra quebrar essa corrente.

Tirei minha carteira de trabalho e saí para procurar emprego, pois, nessa época, era de porta em porta mesmo. Comecei a trabalhar na Embratel na área de fibra óptica com atendimento internacional. Uau, mais uma vez empoderada, apesar do meu chefe dar em cima de mim… enfim anos 90.

Um dia recebi uma proposta para trabalhar na Gradiente com celulares de tecnologia GSM, na época não existia essa tecnologia no Brasil e executivos e políticos precisavam se manter comunicáveis em suas viagens internacionais. Falei com várias figuras importantes do governo, de grandes empresas, da Fifa, artistas, etc. Muito chique isso.

Na mesma época entrei na faculdade de nutrição. Bom, você deve estar se perguntando por que nutrição? É que quando estudei nos EUA, engordei 13kg e quando voltei comecei a treinar muito e me envolver com nutrição. Deu certo pra mim, saí de gordinha para sarada (ha).

Eu entrava na Gradiente às 06hs da manhã e saía às 14hs, minhas aulas começavam mais cedo, às 18h30 e como não dava tempo de voltar para casa, eu ia direto e aproveitava o tempo para estudar. Tudo estava perfeito e àquela sensação estava ao meu lado e talvez por isso eu tivesse ignorado o fato de que minha faculdade custava 630,00 e eu ganhava 750,00, ou seja, não sobrava dinheiro. Meu pai não me ajudou, então eu tive que me virar vendendo Avon e bijouterias na facul, além disso, para economizar com transporte, eu ia à pé da Gradiente que ficava, na época, à Rua Dr. Fernandes Coelho em Pinheiro até a Uninove do Memorial na Barra Funda. Saía da facul 22h40 pra no dia seguinte começar tudo de novo. E sabe o que é mais incrível? Trabalhando, estudando, caminhando horas por dia eu ainda arrumava tempo para beber com as amigas e nem ressaca eu tinha… saudade dos 20.

Meus pais quase não me viam mais e com isso me desencorajavam a continuar, talvez por preocupação, mas me lembro de escutar muito “vamos ver até onde isso vai chegar” (será que eu respondo ainda essa pergunta? kkk), ignorando completamente o “A” que eu havia tirado em fisiologia. Chegou num ponto que a solidão começou a ficar muito forte, porque eu não tinha apoio para continuar, eu não sentia “aprovação” de ninguém, riam de mim dentro da minha própria casa porque eu vendia Avon , enquanto ouvia que a filha da fulana era super companheira da mãe, obediente e estava namorando um rapaz de família (graças a Deus eu não fui assim).

Nenhuma palavra encorajadora, nenhum exemplo para seguir próximo de mim, nenhum recurso para eu poder me apegar, estamos falando de 2001, internet em casa era discada e eu nem tinha computador, havia somente na empresa, mas os sites não eram liberados para pesquisa. Foi então que eu sucumbi e larguei a faculdade um ano depois com muita dor no meu coração. Mas calma…… isso não acaba assim.

Entrei numa fase meio revoltada, estava cansada, comecei a namorar escondido porque meus pais não gostavam do meu namorado. Nem isso eu acertava (hahaha ainda bem), do ponto de vista deles, o fato de eu ter um namorado que eles não gostavam fazia de mim uma vagabunda (como meu pai costumava me chamar – que dó).

Saí do meu trabalho, precisava de um tempo. Às vezes limpava o apartamento do meu irmão para receber um dinheiro e poder fazer minhas coisas, mas isso não durou muito, pois meu espírito me chamava para algo maior. Afinal de contas eu estudei para algo maior, na época não era tão comum falar inglês tão nova e eu precisava aproveitar o momento. Eu sou uma Diva né! Sempre soube!

Comecei a procurar emprego de novo. Não demorou muito e comecei a trabalhar na Ernest & Young, uma multinacional. Agora sim estava no jogo. Trabalhei na tesouraria, que era mais status do nome da empresa do que o trabalho que eu fazia, mas era isso que meus pais queriam. Agora eles tinham um pouco mais de orgulho de mim. Confesso que foi gostoso me sentir pertencente em algum lugar.

Menina mulher

Comecei a namorar um “rapaz de família”, que estava no último ano da faculdade e era trabalhador (os pais adoravam falar assim). Eu já o conhecia da época da escola, então foi mais fácil para meus pais aceitarem. Namoramos por um ano até que uma bomba caiu sobre mim: eu engravidei.

Vamos lá: grávida e solteira na família só houve minha tia, que ficou sozinha o resto da vida por vergonha e julgamento alheio. Holy Shit. Deus olhou pra mim e disse: tá contigo amiga a continuação da família.

Qual o plano? O único que eu imaginei: me casar. Contei para meus pais e senti mais medo deles do que qualquer outra coisa na minha vida, mas para minha surpresa meu pai disse: “Não precisa se casar se não quiser”. Oi???? Choquei!!! Mesmo assim não quis pagar para ver acontecer comigo o que aconteceu com minha tia. Minha mãe nem sairia de casa com vergonha dos vizinhos, era melhor eu me casar mesmo. Tudo acontece como tem que ser.

Durante a gravidez da Rafa eu fiquei de repouso, pois havia risco de aborto, meu útero tentava expulsar o feto, por isso quando a licença maternidade acabou eu perdi o emprego dos sonhos dos meus pais. Graças a Deus!

No segundo ano de casada, já não queria mais estar casada (sério?), não amava meu marido, não gostava da maneira como era tratada pela sua família e nem por ele em muitas ocasiões. Me sentia uma empregada o tempo todo, cansada, criando praticamente sozinha a Rafa, pois meu marido saía de casa quando achava que o casamento não era pra ele (e não era mesmo), me deixando na mão. Eu me sentia com raiva a maior parte do tempo, sempre irritada e nervosa, sempre. Até que um dia eu me olhei no espelho e não reconheci meu próprio reflexo. Isso foi assustador, um choque profundo.

Nesse momento eu recebi um download da memória de toda a minha infância com sensações e ansejos e nada daquilo estava mais em minha vida. Foi aí que eu decidi quebrar todas as correntes das minhas antepassadas, pois agora eu tinha minha filha e eu não poderia fazer isso com ela: perpetuar uma vida sem propósito ou com um propósito tão limitado que as mulheres mantinham para agradar a sociedade.

Eu precisava de uma reviravolta, procurar emprego para poder me divorciar. Uau a Deusa havia acordado!

Consegui um emprego na Bradesco Saúde, mas precisavam que eu estivesse cursando a faculdade. Nem preciso dizer que fiz isso acontecer: comecei a fazer faculdade de Marketing na Uninove. Foi uma época maravilhosa e estressante ao mesmo tempo, pois eu tinha uma filha pequena, uma casa e um trabalho para cuidar, mas conseguia visualizar um futuro pra mim. Uma vizinha me ajudava a olhar a Rafa para eu poder estudar à noite, às vezes eu tinha que levar ela pra faculdade comigo também. Levava duas horas para chegar e voltar do trabalho. Eu parecia um zumbi, mas linda.

Até que um colega de sala me ofereceu um emprego em sua empresa, que era perto da minha casa, então minha qualidade de vida iria melhorar com certeza. Fui trabalhar no aeroporto na empresa Orbital com serviços aeroportuários, fiz de tudo um pouco, até obra, era legal andar por aquelas pessoas viajando, trazia meu espírito de volta. Na Orbital tive o primeiro contato com investimentos, pois logo que fui fazer o financeiro, percebi que o antigo gerente deixava todo o dinheiro em caixa. Dinheiro em caixa sem render chega a dar arrepio na alma.

Enfim, embora uma ótima mudança, ainda não era suficiente para bancar aluguel e filha sozinha. Ainda baby.

Me lembro de uma amiga que trabalhava numa corretora de valores chamada Hedging-Griffo e ganhava bem, então colei nela. Em 2008 consegui uma entrevista lá, era para ser recepcionista, mas eu não me importava, eu queria entrar nessa tão sonhada empresa.

Advinhe!

Eu consegui! Trabalhei com muito amor, fiz contatos e atendi muito bem meus clientes internos, mas teria que esperar um ano para poder aplicar para uma nova vaga. Nesse meio tempo eu pedi o divórcio, já estava na hora e estava me sentindo mais segura na empresa para essa decisão. Me senti feliz, livre e pronta para uma nova vida, mas ela também não foi fácil. O dinheiro ainda era curto para bancar nós duas.

A empresa nos dava um café da manhã incrível, eu comia e guardava metade para o almoço, assim economizava para que a Rafa tivesse uma alimentação completa. Eu também não jantava e assim fomos seguindo. Eu estava feliz mesmo assim e magra, que é o mais importante rs.

Até que a situação se tornou insustentável e eu tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida: largar tudo e voltar para a casa dos meus pais, que agora era no interior ou abrir mão da Rafa por um tempo até eu me reestabelecer financeiramente.

O que eu fiz foi…

Tomei a decisão de mandá-la para a casa dos meus pais para seguir em frente com meu plano. Claro que não seria eterno, mas mesmo assim foi muito dolorosa a sensação de impotência em que eu me encontrava.

Lembro-me de sentar na calçada e ver o carro dos meus pais saindo com minha filha no banco de trás olhando para mim, sem entender e sem saber como seria nosso futuro. Um pedaço foi tirado de mim nesse dia.

Deixei minha casa e passei a dormir no escritório do meu irmão, num colchão de ar, por mais de um ano, mas pelo menos tinha paz de espírito para focar no que precisava, pois sabia que minha filha estava bem.

Um ano e um dia depois eu finalmente pude aplicar para duas vagas: Instituto Hedging-Griffo e para a área de Institutional Sales da Gestão. A primeira opção seria a mais provável, já que a segunda era para trabalhar com ninguém menos que Luis Sthulberger diretamente no mercado financeiro. Eu estudava no horário de almoço para tirar o CPA-20, ao mesmo tempo em que participava do processo seletivo.

Até que dois meses depois eu tive 3 notícias que mudaria minha vida para sempre: Eu fui aprovada no meu certificado, contrataram uma pessoa de fora para o Instituto HG, mas… eu fui aprovada para a vaga do Institutional Sales da Gestão. Yupiii!!

Sabe aquela história de “eu nem tenho roupa pra isso? Pois é, era eu. Uma amiga, professora de inglês, que sempre me ajudava com aulas gratuitas, me emprestou dinheiro para comprar roupas para o novo cargo. Eu me lembro de sentir muito medo, pois estava no meio de gênios e só havia 2 mulheres na área toda. Aprendi muito e como eu sempre me sentia “menos” ali, eu investia meu bônus de final de ano em educação. Fiz meu MBA na FGV, trouxe a Rafa de volta e investi numa escola bilíngue pra ela começar desde cedo a ter ferramentas para escolher seu próprio destino.

Foi assim que minha vida no mercado financeiro começou, foram 4 lindos anos na Hedging-Griffo. Mas mesmo saindo desta empresa tão querida, estava empoderada profissionalmente, sabia que teria um futuro.

Depois disso trabalhei por 6 anos na Sulamérica Investimentos, uma Asset conservadora e tradicional. Por ser assim, comecei a identificar a necessidade de inovação digital para o Business, automatizei muitos processos junto com o time de TI, levei muitas ideias para o board e instituí junto com o Diretor da Asset um Comitê de Inovação para discutir e implementar ideias. Aprendi muito, principalmente conquistando meu espaço como mulher, pois o mercado financeiro é incrivelmente masculino.

O mais incrível é que eu me tornei adaptável, nexialista, antenada e nunca me acomodei, mesmo porque não tinha esse luxo. Hoje me integro em novas profissões, tecnologias, participo de meetups, cursos, palestras e não paro nunca.

Com tantas coisas vividas, sentia vontade de me comunicar com o mundo, falar com as pessoas e ajudá-las com minha experiência, mesmo que pequena. Criei o Blog Mariando que fala sobre carreira, histórias e potencial para todas as mulheres que precisam se encontrar, que precisam de uma palavra encorajadora, de voz e de poder. Assim como eu precisei um dia.

Voltei a dançar e fiz trabalhos sociais de empoderamento com meninas da periferia junto com a Base Sociedade Colaborativa, aonde sou associada.

Cada ano que passa me sinto mais livre para escolher o que meu espírito empreendedor quer fazer, isso é poder.

Hoje trabalho numa Fintech (Startup de Investimentos) chamada Magnetis Investimentos. Pensando em minha vida hoje e no meu momento profissional, faço a seguinte reflexão: Qual é o espírito de uma Startup? Resiliência.

Startup se reinventa, lida com o inesperado, se adapta e cria soluções.

E todo esse caminho que percorri se resume em uma única palavra: Resiliência também, por isso não poderia estar mais feliz profissionalmente. claro que há caminhos a serem percorridos, tetos de vidro a serem quebrados, mas eu cheguei até aqui!

Eu poderia ter desistido mil vezes, mas eu ouvi meu espírito, eu não tinha o que a maioria das pessoas tinham: a perfeita educação e incentivo, mas eu disse não para cada “não” e cada “não” me fez ir mais longe.

Hoje vejo minha filha com opiniões próprias e com uma visão de vida que eu queria ter ao 30 anos, fora que ela já é uma investidora com 15 anos.

Nada acontece por acaso, a vida foi me moldando e me adaptando para que eu pudesse estar entre os gigantes hoje, no business da resiliência, da prosperidade, da tecnologia, da inovação e da ascensão feminina.

Tomo muitos cafés com mulheres que me procuram pra receber um conselho e uma palavra encorajadora. Vamos falar meninas!”